Review Dr. Rodrigo Bronze: Artigo “One year after the TransMet trial: Transplant oncology at a turning point” do autor Florent Artru, publicado na revista Journal of Hepatology 2026, vol; pag 1-3.

    Review Dr. Rodrigo Bronze: Artigo “One year after the TransMet trial: Transplant oncology at a turning point” do autor Florent Artru, publicado na revista Journal of Hepatology 2026, vol; pag 1-3.
27 de fevereiro

Review Dr. Rodrigo Bronze: Artigo “One year after the TransMet trial: Transplant oncology at a turning point” do autor Florent Artru, publicado na revista Journal of Hepatology 2026, vol; pag 1-3.


Com muito interesse, lemos o artigo de Florent Artru, publicado recentemente no “Journal of Hepatology”. Nele o autor contextualiza a situação do tratamento cirúrgico das metástases coloretais com foco no estudo “TransMet” de Rene Adam e cols. publicado na revista Lancet em 2024. Um estudo randomizado, controlado e multicêntrico europeu, que foi desenhado para responder a pergunta: Pode o transplante de fígado, combinado com a quimioterapia, melhorar a sobrevida de pacientes com metástases coloretais irressecáveis, comparado com o tratamento quimioterápico exclusivo?

No estudo “TransMet”, os autores avaliaram pacientes com adenocarcinoma coloretal metastático, confirmado histologicamente, com ressecção completa da lesão primária, lesões metastáticas exclusivamente para fígado e com BARF tipo selvagem, consideradas irressecáveis por um painel multidisciplinar independente. A doença deveria estar controlada de forma sustentável por pelo menos 3 meses, com uso de 3 ou menos linhas de agentes quimioterápicos. No braço de pacientes submetidos ao transplante, o acesso ao procedimento foi conseguido com a priorização em lista de espera, para garantir que o procedimento ocorresse dentro de 2 meses após o último ciclo de quimioterapia. O “endpoint” primário do estudo foi a sobrevida geral em 5 anos, em uma análise de intenção de tratamento. Os “endpoints” secundários foram sobrevida livre de progressão, resultados peri-operatórios, padrão de recorrência e qualidade de vida. 

Após uma mediana de seguimento de aproximadamente 5 anos, a sobrevida global no braço transplante do estudo foi de 56,6%, comparado a 12,6% no braço de tratamento “standard-of-care”. A sobrevida livre de progressão foi significativamente prolongada com mediana excedendo 17 meses no braço transplante, contra aproximadamente 6 meses no “standard-of-care”. 

O autor postula que o TransMet é o primeiro estudo randomizado e controlado a demonstrar beneficio substancial para o transplante em comparação a terapia sistêmica, em casos selecionados de metástases hepáticas irressecáveis de tumores coloretais. Importante salientar que também demonstrou sobrevida acima dos limites de utilidade para uso de enxertos hepáticos para transplante em doenças oncológicas, com resultados de sobrevida em 5 anos comparável aos resultados observados em indicações já bem estabelecidas. Os resultados desse estudo mudam de forma significativa conceitos e limites para transplante em doenças oncológicas. 

No entanto, o autor salienta que os resultados desse estudo não autorizam a expansão indiscriminada das indicações. Os critérios de indicação para transplante no estudo foram bastante restritivos, a progressão da doença evitou o transplante em boa parte dos pacientes, e a escassez de órgãos se mantém como grande dificuldade ética no aumento das indicações, particularmente no nosso meio.

Os princípios restritivos do TransMet e a validação do painel multidisciplinar foram fundamentais para atingir os resultados. Essa politica tem sido adotada pelos órgãos regulatórios em alguns países. Nos EUA os pacientes têm recebido pontuações especiais em lista de transplante após autorização do “National Liver Transplant Oncology Review Board”. Essa politica também tem sido implementada, ou sendo considerada, em países Europeus. Especialmente porque os candidatos devem receber alguma forma de priorização em lista para que o transplante ocorra na janela proposta pelo estudo.

O autor lista também outros estudos em andamento que procuram respostas para outros desafios restantes como sexo, mutação do KRAS, ausência de terapia pregressa no fígado, volume tumoral e número de lesões metastáticas.

O transplante de fígado há muito é o tratamento de escolha para pacientes com doença hepática terminal, e é também o melhor tratamento para carcinoma hepatocelular. Mais recentemente as indicações tem sido expandidas para condições como hepatite aguda alcóolica e outras condições oncológicas como colangicarcinoma hilar e periférico, além das metástases coloretais irressecáveis. No entanto, o desafio maior tem sido aumentar também o número de doadores na mesma proporção que as indicações em um cenário onde a mortalidade em lista de espera já é bastante elevada. Opções como o doador vivo, o doador com parada cardíaca, entre outras, podem ajudar, mas o mais importante é buscarmos aumentar a efetividade do potencial doador, particularmente em nosso meio, e viabilizar um maior número de potencial doadores através de esclarecimento da população e profissionais de saúde.

No artigo, o autor conclui que o transplante seguindo princípios oncológicos, pode se tornar um dos mais relevantes avanços no tratamento da metástase colorretal ao longo da próxima década. Eu concordo.

REFERENCIAS 

Artru F. One year after the TransMet trial: Transplant oncology at a turning point. J Hepatol. 2026 Feb 11:S0168-8278(26)00014-0. doi: 10.1016/j.jhep.2025.12.027. Epub ahead of print. PMID: 41680002.

Adam R, Piedvache C, Chiche L et al. Liver transplantation plus chemotherapy versus chemotherapy alone in patients with permanently unresectable colorectal liver metastases (TransMet): results from a multicentre, open-label, prospective, randomised controlled trial. Lancet 2024; 404: 1107-1118. https://doi.org/10.1 016/S0140-6736(24)01595-2 


 Por Dr. Rodrigo Bronze
To top Loja Whatsapp